RELACIONAMENTOS E O NETWORKER (1)

Para que a sua estratégia de networking tenha sucesso, algumas variáveis deverão ser analisadas e tratadas adequadamente. Entre elas o relacionamento, ou melhor, a habilidade de relacionamento desenvolvida pelo networker.

Relacionamento com pessoas é uma atividade de “alto impacto” e afetará diretamente a sua capacidade de ter sucesso no networking, na comunicação em geral e na vida, explico a seguir.

Estávamos passando na empresa pelo famigerado processo de redução de atividades e, portanto, naquele mês de setembro de 1994 deveríamos demitir 23% do quadro de funcionários em cada departamento.

Apesar dos critérios técnicos definidos pelo pessoal de RH percebi a grande dificuldade de escolher qual daqueles pais de família eu deveria enviar para engrossar as estatísticas de desemprego, infelizmente sempre crescentes em nosso País.

Não sei se por “acaso ou sorte”, se é que eles realmente existem, fui ao cinema com minha esposa assistir um filme, lançamento na época, denominado “Um Dia de Fúria” que facilitou muito a minha tarefa de escolher os “azarados”.

Baseado em dois personagens centrais, este filme conta a estória de William Foster (interpretado por Michael Douglas) e Martin Prendergast (interpretado por Robert Duval) cada qual com seus respectivos problemas e diferentes formas de tratá-los.

Enquanto William, desempregado e divorciado, tenta atravessar a cidade a pé para chegar para a festa de aniversário de sua filha, Martin tenta passar normalmente o último dia de serviço na polícia, pois está se aposentando sem nunca ter utilizado seu revolver em 30 anos de trabalho.

William vai arrumando conflitos com todos em seu caminho e Martin segue evitando conflitos no seu dia. Enquanto um traz problemas para todos a sua volta, o outro traz soluções e alivio para seus pares.

No momento que percebi a trama, os detalhes do roteiro e relação dos personagens com o mundo eu entendi o tipo de gente que queria manter em meu departamento. Cortar 23% dos funcionários virou uma tarefa fácil e de certa forma “refrescante”.

Os relacionamentos conflituosos seguem sendo explorados no cinema de diversas formas, muitas comédias se baseiam nisso. O seriado Seinfeld se baseia na difícil relação entre os personagens e o mundo. O personagem Mr. Bean é tão ruim de relacionamento que nem precisa falar para arrumar encrencas.

Obviamente na atividade de Networking a qualidade do relacionamento desenvolvido definirá o resultado obtido… se de grande sucesso ou de completo fracasso.

Como definir as características do bom relacionamento? Será que variam em função de algum quesito como contexto, tipo de atividade, data de nascimento, preferência esportiva ou religiosa?

Penso que não precisamos complicar muito. Sabemos perfeitamente o tipo de indivíduos que queremos ter sempre ao nosso lado, com quem é sempre bom encontrar e aqueles tipos que preferimos não encontrar na rua, menos ainda na fila do banco.

E se você já teve um cão sabe exatamente o que é um sujeito simpático, sempre disponível, alegre, companheiro e ostentando sempre a um largo sorriso na cara.

Aquele tipo que não tem tempo ruim… O mundo está desabando e ele sempre encontra uma forma de achar o lado positivo da situação. O cara de sucesso na habilidade de relacionamento com os demais.

Algumas leis naturais que fundamentam o sucesso ou fracasso no relacionamento devem sempre direcionar as atividades de networking, onde farão muita diferença, vamos a elas:

1) Qualidade dos relacionamentos é inversamente proporcional a quantidade de relacionamentos devido ao simples fato de que tempo é limitado pela física diária.

2) Nossos relacionamentos dependem de escolhas mútuas, isto é, dependem de escolhermos os outros e também de sermos escolhidos pelos outros.

3) Gostamos de quem gosta de nós. Dificilmente gostaremos de algum desafeto. Desta forma precisamos dar o primeiro passo e demostrarmos nosso afeto.

4) Para desenvolver um relacionamento não podemos pensar a curto prazo. Como certos alimentos, confiança e reputação demandam o lento cozimento em fogo brando.

5) Ninguém gosta de pessoas antipáticas, desagradáveis, pessimistas e arrogantes. Aqueles que sempre procuram e encontram o lado ruim das coisas e da vida.

6) Bem de perto ninguém é normal. Como são maravilhosas as pessoas que não conhecemos bem. Se levarmos isso em consideração tudo ficará mais fácil.

7) O ser humano é um animal social e que vive em bandos. Portanto não é natural viver sozinho e nem ser feliz sozinho. Devemos aprender a viver e sermos felizes no coletivo.

8) A fronteira pessoal e profissional desabou com o avanço da tecnologia. Fica cada vez mais difícil manter personalidades diferentes no trabalho e em casa. Tudo é pessoal.

9) Novas definições de realização e objetivos redefinem as prioridades de vida e sucesso para as novas gerações. Mais prazer e menos posses direcionam seus esforços de trabalho e de relacionamento com os demais.

10) Para se ter sucesso em algum relacionamento é necessário estar no “radar do outro”… Não apenas na lembrança e nem sempre no pensamento, mas estar presente no radar dos acontecimentos e das querências do parceiro, que é algo bem diferente… algo como ser lembrado no momento oportuno.

Se levarmos estes conceitos em consideração ficará mais fácil desenvolvermos nossos relacionamentos e termos sucesso na atividade de networking. Afinal a escolha e a iniciativa para ação são sempre nossas.

Como me disse um funcionário meu, na entrada de um hotel onde teríamos um Workshop no fim de semana e precisávamos dividir os quartos entre os participantes: com quem trabalhar escolhe você, mas com quem comer ou dormir escolho eu…

Obs.: este texto continua no próximo artigo.

3 thoughts on “RELACIONAMENTOS E O NETWORKER (1)

  • Ariovaldo Tedeschi

    Pedro Lucio,
    Parabéns pelo artigo! Reflete de maneira bastante prática e atualizada a importância da qualidade dos relacionamentos.
    Manda notícias!
    Forte Abraço
    Ari ( dos tempos da ABB…)

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  • Glauber

    Pedro,
    muito bom este texto.
    Levou para uma reflexão de duas máximas antigas, sobre relacionamento e “network”, ambas ensinadas por um Grande amigo:
    1- Faça para o outro o que gostaria que fizesse para ti.
    2- Diga com quem anda e direi quem é você.
    A profundidade destas duas máximas, remete uma liberdade de escolha para uma atitude positiva e caridosa. Nós, seres humanos em constante evolução, ainda alimentamos o oposto com orgulho e vaidade. Situação que prejudica muito o ser integro e relacional.
    Agradeço pelo texto. Um abraço.

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  • Percio Soares

    Belo texto…dicas suaves, mas, funcionais. Inteligente. Parabéns.

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